Ah, se eu pudesse te mostrar como as coisas vão mudar. Esse ano você pediu uma boneca de presente de Natal, né? E ganhou. Eu pedi menos decepções de Natal. Só ganhei mais. As coisas são tão fáceis por aí, tu não tem nem ideia. Teus sorrisos são todos tão sinceros, garota.
Aproveita muito o tempo que tu tem com essa velha que tá aí contigo, tua vovó. Vais sentir falta dela, e como! Abraça ela o quanto tu puder. Diz, sempre que possível, que tu ama ela. E cuida dela. Cuida como se ela fosse de cristal.
Pula, brinca, se diverte, corre, cai e deixa esse joelho bem roxo. Sente essa dor que tu pensas que é a maior dor do mundo. Tu nem conhece dor ainda. A dor de fora não se compara com a de dentro, minha flor.
Fica alheia das coisas dos adultos, minha fofa. Não é hora de se preocupar com isso. Deixa as contas, os jornais, as revistas e os programas de televisão que passam cedo da manhã pro papai e pra mamãe resolverem.
Curte tuas amizades enquanto são sem interesses. Não se apaixona ainda. Gosta, olha, da risadinha e fala deles com as amigas. Mas não se apaixona. Não pensa que isso vai durar. Os meninos nos iludem, guriazinha. Eles nos magoam, e muito.
Não acredita em contos de fada. Às vezes, a bruxa se transforma em nossa melhor amiga e o príncipe volta a ser sapo. A fada, depois da maquiagem, é só mais uma velhinha. E as irmãs invejosas ficam quietas.
Seja feliz, meu anjo. O máximo que tu puder.
Daqui a um tempo, vais sentir falta de ser assim, tão inocente e tão pura.”
| — | Com todo amor do mundo, de ti mesma (alguns anos mais velha, um pouco mais rancorosa, triste, casca dura e com um pouco mais de experiência) |

Nenhum comentário:
Postar um comentário